Dá-se um
coração
A noite enfeitou-se, veio ao encontro de nós dois
Vestiu de prata a Lua, que vaidosa se mostrou
No brilho das estrelas, pôs o azul dos mais azuis
Como de tantas vezes, mansamente nos cercou
O mar qual seresteiro, quis fazer uma canção
Só falando de você, mas não sabia começar
Na esteira de estrelas, foi buscar inspiração
E a doce brisa trouxe, lá de longe a voz do mar
Há dois irmãos meus nesses olhos seus, mil diamantes
estão a brilhar
Em seu sorriso os seus cabelos, são raios que ao Sol não
querem voltar
Fiz o vento que do céu, varria as nuvens compreender
Algumas poucas delas, deveriam lá ficar
Pra que encobrindo a Lua, não deixassem ninguém ver
Os beijos de amor, e de paixão que ia lhe dar
Porém senti que todos, os meus sonhos se acabavam
A boca que beijava, de repente se afastou
Os olhos que adorava, friamente anunciavam
Havia outro, não queriam mais o meu amor
Os lindos olhos que me fitavam, indiferentes fizeram
formar
Nos olhos meus dois grandes lagos, que de crescer não
queriam parar
A noite retirou, do céu os astros o luar
Vestiu um negro luto, respeitando a minha dor
A brisa murmurou, minha tristeza para o mar
E o grande seresteiro,simplesmente se calou
Girando com o mundo, me afastei na madrugada
Preguiçosamente o Sol acende outra manhã
A última esperança, no meu coração se apaga
Hoje para mim, não mais existe o amanhã
Perdeu as luzes o meu caminho, também perdi-me nem sei
pra onde ir
Quem quer o coração triste vazio, de um alguém que nem
consegue mais sorrir.//
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