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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Dá-se um coração, Nº 103

 

Dá-se um coração

 

A noite enfeitou-se, veio ao encontro de nós dois

Vestiu de prata a Lua, que vaidosa se mostrou

No brilho das estrelas, pôs o azul dos mais azuis

Como de tantas vezes, mansamente nos cercou

O mar qual seresteiro, quis fazer uma canção

Só falando de você, mas não sabia começar

Na esteira de estrelas, foi buscar inspiração

E a doce brisa trouxe, lá de longe a voz do mar

Há dois irmãos meus nesses olhos seus, mil diamantes estão a brilhar

Em seu sorriso os seus cabelos, são raios que ao Sol não querem voltar

 

 

Fiz o vento que do céu, varria as nuvens compreender

Algumas poucas delas, deveriam lá ficar

Pra que encobrindo a Lua, não deixassem ninguém ver

Os beijos de amor, e de paixão que ia lhe dar

Porém senti que todos, os meus sonhos se acabavam

A boca que beijava, de repente se afastou

Os olhos que adorava, friamente anunciavam

Havia outro, não queriam mais o meu amor

Os lindos olhos que me fitavam, indiferentes fizeram formar

Nos olhos meus dois grandes lagos, que de crescer não queriam parar

 

A noite retirou, do céu os astros o luar

Vestiu um negro luto, respeitando a minha dor

A brisa murmurou, minha tristeza para o mar

E o grande seresteiro,simplesmente se calou

Girando com o mundo, me afastei na madrugada

Preguiçosamente o Sol acende outra manhã

A última esperança, no meu coração se apaga

Hoje para mim, não mais existe o amanhã

Perdeu as luzes o meu caminho, também perdi-me nem sei pra onde ir

Quem quer o coração triste vazio, de um alguém que nem consegue mais sorrir.//

 

Música 103, R.Bozza.

 

 

 

 

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