Estação
terminal
Lá longe o bairro distante um subúrbio da central
Eu sacolejava pouco mais que um menino
No velho trem com destino à estação terminal
Uma casa verde e branca
Duas redes na varanda
E rosas no roseiral
Casa velha cheirando a nova o vento a brincar de roda
Com as folhas do laranjal
Do lado esquerdo da cama a foto de quem se ama
Em redoma de cristal
No alto da cabeceira imagem da padroeira
Pra defender-nos do mal
Quando na casa entrava em meus braços se atirava
No verde olhar só alegria
As tranças negras soltava o corpo ao meu enroscava
Colando a boca na minha
Toda vez que eu chegava era assim que ela me dava
Com o corpo inteiro bom dia
Hoje de cabelos brancos as marcas do tempo no rosto
Voltei à estação terminal
A casa não é mais branca sem redes na varanda
Sem flores no roseiral
No peito saudade de alguém que só me fez tanto bem
A quem eu fiz tanto mal.//
Música 270, R.Bozza.
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