Balão de jornal
Quando criança, fiz um balão sem cores
Todo amassado, pois só tinha poucas folhas de jornal
Depois de pronto, ficou tão feio e torto
Que envergonhado, fui solta-lo lá no fundo do quintal
De qualquer jeito, com tal desprezo
Acendi a sua bucha
Sem me importar se lhe tocava fogo ou não
Porque nem mesmo acreditava
Que o monte de feiura
Aquele traste sairia ali do chão
Mas de repente, ele subiu com tanta força
Ultrapassando, a todos os balões no céu
E para meu espanto
Por entre as nuvens desapareceu ao léu
Hoje passados, muitos anos
Jogado um trapo, nessa noite de São João
Velho doente, ao abandono
À minha volta, vai crescendo a escuridão
Eu sinto dor, eu sinto fome
Um medo imenso me invade o coração
Num milagre, forte luz rasgou as trevas
Um lindo anjo, em seus braços me envolveu
Houve luta houve urros, houve berros
Quando acordei, estava aqui diante de Deus
Oh pecador, Já condenado ao fogo eterno
Quando um anjo veio a mim e te louvou
Por ti desceu, ele sozinho até o inferno
Guerreou a Besta, das suas garras te livrou
Eis pecador, que não ouviu minhas palavras
O abençoado, que te libertou do mal
Sem cores, amassado feio e torto
Chorou comigo, o balãozinho de jornal.//
Música 181, R.Bozza
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